Talvez eu tenha morrido


Em um cubículo negro, sentada ao chão sem saber o que fazer. Já sem voz de tanto gritar por ajuda. Um silencio ensurdecedor, em seguida, berros de cinco, cinco monstros. Não escuto mais nada, como é mesmo que se fala? Deixe-me em paz- pensei.
Estou enlouquecendo, não agüento mais isso. Parem de tentar roubar o que tem de melhor em mim, parem de gritar. Por favor, parem.
Um dos cinco se vai, agora restam  quatro. Porque será se foi? Deveria ser fraco de mais. Me apoio em um nada, e levanto. Tento dizer alguma coisa qualquer, sem sucesso. 
As quatro aberrações se aproximam ,um grito vindo de mim, finalmente consegui .Eles caem, eu dou um passo,sem voz novamente, se aproximam cada vês mais, um deles pega minha mão esquerda, eu penso – não tenho mais medo.
E é assim que o quarto se vai.
Agora são só três... estou me saindo bem, poderia até sentar e tomar um chá, mais aposto que não aceitariam.
Um deles se aproxima. - Mais ou menos da minha altura, quatro braços, três dedos em cada. Não consigo distinguir sua cor, a escuridão não me permite. As pernas? Não ele não tinha.  Sua face horrenda, dois olhos negros, a língua pra fora da boca, sua língua era semelhante a de uma cobra. – um caminhar engraçado, apoiando os braços de baixo, ao chão, como se fossem pernas. Quando chegou perto de mim colocou sua mão direita em meu rosto,acariciando-me, dedos frios e ásperos.
Não tenho mais medo, não vou deixar que me possuam como das ultimas vezes.
Seguro seu braço nojento, tiro de minha face. Me aproximo e o abraço,como se fosse um amigo distante.Ele se vai.
Dois, só faltam dois.
Me sinto mais forte, sei que estou mais forte.
Corro em direção a aberração mais alta.- com galhos de chifres, corpo aparentemente gosmento, braços compridos, sem dedos. Não identifico sua face. –Frente a frente com o dois, passo minhas mãos pela gosma que chamei de braço quando o descrevi. Ele não se vai, permanece e enlaça meu pescoço com seu corpo.  Não posso mais respirar, estou perdendo meus sentidos. Vou morrer.
Me lembrei que sou forte e só faltam dois para me libertar.
Mentalmente imagino que estou respirando normalmente. Respiro, respiro, respiro...
Sinto algo entrando em minha boca, sinto nojo, como é que ainda tenho tempo para sentir nojo? Que inútil.
Não há mais nada a se fazer a não ser respirar mentalmente. Estou morrendo. Não, não estou, eu achava que estava. Sou forte, continuo respirando, continuo vivendo... acho eu.
A aberração se contrai para fora de mim, lentamente se deslizando e evaporando ao chão.
E finalmente minha respiração normal volta, fico ofegante e com um batimento rápido. Sobrou só mais um. ‘Eu te disse que você era forte’- pensei.
Um berro de estourar os tímpanos. O ultimo, pequenino,  aparentemente estava sentindo medo de mim... afinal, agora estava sozinho.
Me aproximo, ele se encolhe. Parece um cachorrinho, eu poderia até descrevê-lo como uma criatura fofa. Me agacho para o acariciar. No instante em que me abaixei, ele se virou para mim abrindo sua enorme boca que se localizada em sua barriga. Agora o dócil cãozinho estava mastigando minha perna! Droga.
 Minha voz volta, eu grito, ele me solta.
Estou sangrando. Não ligo mais pra isso, não importa... só falta um, eu tenho que conseguir. Eu grito de novo e de novo.
Os olhos do monstro brilham, eu agora posso olhar dentro dos olhos dele. Lá dentro... e eu vejo o que ele queria ser... e tenho certeza de que não é um monstro.  Tumblr_lw057lkfvw1r3dgvgo1_500_large

8 comentários que me fazem sorrir:

Mari Vasconi disse...

Ô mulher, quanto tempo que não apareço por aqui! Tá boa??

Beijinhos!
http://etcemari.blogspot.com

Brenda Santos disse...

Bacana flor, mas o texto ficou bem grandinho né!

Beijos
@tudodmenina
http://tudodmenina.blogspot.com

Rick disse...

Profundo... E sabe aquele texto que te prende do começo ao fim, bom, esse é um deles.
Bjws moça. Saudades.

Rick disse...

Eu sinto saudades Lari. Daquele tempo, dos e-mails, das horas de conversa no msn. À coisas mudaram um pouco né? Mesmo porque quase sempre estamos ocupados. Mas o importante é que o que é verdadeiro sempre fica né. Sempre.
E olha todo esse tempo, ainda estamos aqui, ainda que distante, mais nem o tempo e a distancia pode mudar alguma coisa que é de verdade. Que já esta guardado com a gente.
Sinto tanto sua falta. Te amo.
Até logo moça.

Isabely Rodrigues disse...

Ai que texto deprimente...
http://fasesdegarota.blogspot.com.br/

Vida de Garota disse...

Olá. Mudou o lay, que gracinha. hihi
O texto está ótimo, teve algumas palavras que não entendi, mas re li novamente e achei o texto perfeito, alias todos os seus textos são perfeitos! Some não, tá? Aparece mais vezes no meu blog, vou amar.

Beijos; @Raah_Castroo
www.vidaadegarotaa-vdg.blogspot.com

Rosa Soares disse...

Texto incrivelmente maravilhoso. Como todos outros! Amo o sentimente que transmites através da escrita!

http://soentrenosmulheres.blogspot.com/

Brenda Santos disse...

Que lido o texto flor, adorei!

Xau
@tudodmenina
tudodmenina.blogspot.com